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Para Fecomercio, alta dos juros demonstra medo exagerado da inflação

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22/07/2010

A Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), entidade a qual é filiado o Sincovam (Sindicato dos Lojistas e do Comércio Varejista de Americana, Nova Odessa e Santa Bárbara d’Oeste) entende que a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) em aumentar os juros básicos da economia demonstra um medo exagerado da autoridade monetária na possibilidade de aumento da inflação, mesmo com sinais de arrefecimento da economia brasileira nos últimos meses. Para o diretor executivo da Fecomercio, Antonio Carlos Borges, o reajuste é “absolutamente desnecessário”. “O momento pede uma parada técnica para que o BC análise melhor a situação a partir dos aumentos dos juros básicos nos meses anteriores e possa tomar a decisão mais acertada daqui para a frente”.

O comportamento da inflação acumulada no primeiro semestre de 2010 pelo IPCA (índice oficial utilizado para as metas de inflação do governo) e INPC demonstram trajetória de queda. Os resultados são taxativos: a política monetária do País deveria reduzir a taxa de juros. “Infelizmente, essa sugestão parece algo impossível de ser compreendido pelo BC”, opina Borges.

A Fecomercio ressalta que alterações na Selic costumam levar de quatro a oito meses para surtirem efeito na economia real. “O processo de aperto monetário iniciado em abril ainda nem gerou efeitos expressivos na economia real, embora tenha provocado efeito psicológico muito forte no consumidor, que passou a demandar menos produtos”, pondera Borges. Some-se a isso o fim de incentivos tributários para linha branca e automóveis. “As ações do BC têm se mostrado inapropriadas e ineficientes nesse momento.”

Para a Fecomercio, está na hora de o Banco Central observar as nuances da economia com mais cuidado antes de pensar em aumentar os juros. Basta olhar o desempenho do mercado imobiliário para compreender essa necessidade. O ano de 2010 começou aquecido nos lançamentos e nas vendas de imóveis e, após quatro meses de quebras de recordes, a partir de maio os dados assustam pela intensidade da reversão. “Isso pode significar apenas um ajuste setorial, mas, no mínimo, a autoridade monetária deveria dar uma atenção especial a esse movimento”, finaliza Borges.


(fonte: Fecomercio)

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